
Poucas vezes pude presenciar uma exposição tão interessante quanto a “De Chirico, um sentimento da arquitetura”, que estava em cartaz na Fundação Iberê Camargo. Raro momento para observar o mestre da chamada pintura metafísica no Brasil, a mostra consegue proporcionar uma noção significativa sobre o trabalho do artista. A destacar sua contribuição singular para a história da arte ao misturar reflexões sobre filosofia, psicanálise e história, conhecer o trabalho de De Chirico é fundamental.
A composição do espaço no trabalho de De Chirico estabelece uma relação interessante com a arquitetura da Fundação. Comparar os quadros do artista com a criação de Álvaro Siza é uma viagem pela história da arte e da arquitetura, que nos mostra uma relação fundamental do confronto entre o clássico x moderno, industrial x humano na composição do contemporâneo. Certo então é que no teor estético, De Chirico antecipou muito do surrealismo e misturou com referenciais das narrativas fantásticas. Suas representações metafóricas, ora esteticamente mais conservadoras, ora mais transgressoras, trazem sempre o confronto entre clássico e moderno
As figuras de De Chirico transitam por uma cidade síntese, por espaços vazios e não têm identidade. São extensões das próprias incertezas do advento de uma sociedade moderna, industrial e do “abandono” da tradição e do clássico.