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Vencedor do urso de prata no Festival de Berlim, A Mensageira, de Iván Fund, busca um realismo de viés lúdico, ou fantástico, ao representar a história de uma menina que “conversa com animais” e seus tutores. Eles percorrem o interior da Argentina numa van, abordando clientes e virando-se para explorar os “dons” da menina. Terreno já explorado por Fund, o realismo de A Mensageira tem um estilo observacional e a escolha do preto e branco é acompanhada por um olhar singelo, mas que não deixa de ter certa ironia.
A Mensageira funciona como um filme de estrada alternando o convívio entre os três com as estratégias do casal para lucrar com Anika (Anika Bootz) e as consultas mediúnicas a donos de pets. Em diversas situações, são negociados os serviços e “montada a divulgação” principalmente por Myriam (Mara Bestelli), tendo como pano de fundo as paisagens do interior argentino.
O resultado é um filme que procura o simples. Já o realismo proposto funciona em partes, e a narrativa parece meio vaga na sua construção. Por um lado, a Mensageira tem a sua beleza, por outro, seu tom observacional e seu ritmo podem causar estranhamento a quem está acostumado com o frenético cinema de ação. Os personagens se integram a paisagem, e o tom lúdico surge com a fantasia da infância.

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