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Minha Querida Família, novo longa da francesa Isild Le Besco, trata de conflitos em retrato sensível, e ao mesmo tempo mordaz, das relações familiares
O novo filme da atriz e diretora francesa Isid Le Besco, Minha Querida Familia, é centrado numa reunião familiar e traz figuras icônicas como Marisa Berenson, a “matriarca da família”, a vencedora de Cannes, Élodie Bouchez, além do britânico Sam Spruell. Minha Querida Família alterna momentos mais intimistas e partilhas para abordar marcas daquela família, com suas diferenças e desavenças.
Em Minha Querida Familia, Le Besco transita entre os personagens com uma câmera dinâmica, dando destaque para o relacionamento turbulento de Estelle (Élodie Bouchez). É ela que sofre um arco mais detalhado em meio ao encontro dos familiares, com momentos mais intimistas e amorosos. Ao chegar com seus filhos na casa da matriarca, Queen (Marisa Bereson), Estelle entra na dinâmica de suas irmãs e suas discussões, o que traz à tona antigos traumas e picuinhas entre os personagens. Assim, a trama permite conhecer um pouco sobre suas motivações e desejos, o que leva a uma aproximação maior com o universo deles.
Dentro desse contexto, Minha Querida Familia se propõe a tratar, mesmo que de forma breve, de uma espécie de implosão no núcleo familiar, reunido depois de anos e diante da “volta do passado” constituída pela chegada do filho mais novo, Marc (Axel Granbenger) e sua namorada, que trazem as cinzas do pai e manifestam o desejo dele de jogar ao mar. Nesse momento, a questão do pai da família vem à tona, causando revolta entre as irmãs e uma discussão entre os familiares. Queen se incomoda por acreditar que ele, mesmo morto, está “roubando o seu momento”. As crianças também têm o seu momento e, seja nos momentos lúdicos, seja quando reviram as coisas de Queen: elas acabam sendo um ponto de conflito entre membros da família.
Para Estelle, o reencontro com a família e conhecidos aponta um movimento positivo; pois, embora relutante, reaproxima-se de um antigo interesse amoroso, William (Sam Spruell). Ela então está decidida a livrar-se do antigo casamento tóxico, mesmo diante de insistência de Antonio (Steffani Casseti)
Por tratar dessa dinâmica familiar com momentos de introspecção, que reelaboram o passado trazendo novas soluções para o presente, Minha Querida Família tem méritos na sua construção (embora pudesse explorar mais esse aspecto). A presença de atores celebrados entrega alguma consistência nas atuações, boas dinâmicas e carrega o envolvimento do espectador com os personagens.

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