
Depois de participar do Cineesquemanovo e presenciar palestras e discussões sobre cinema, uma questão permaneceu: a cinefilia ou o próprio cinema estão em estado final? Tal inquietação surgiu algumas vezes no festival.
Ao que parece, as previsões catastróficas sobre o fim do cinema e da cinefilia estão longe de se concretizar. Isso pelo simples fato de que o cinema, apesar de ter se modificado, ainda continua a aglutinar centenas de adeptos e apaixonados seguidores.
É bem verdade, e por isso existem visões aterradoras, que a relação do público com as salas de cinema não é mesma, e talvez ela venha perdendo status. Dentre outros motivos, está o fato de que a experiência coletiva do cinema está se pulverizando. Podemos pensar que a paixão pelo cinema está cada vez mais individual ou restrita a um grupo?
A discussão segue e especialmente se considerarmos a história do cinema. Refiro-me à atmosfera da França pós-guerra, em que o cinema foi considerado em seu “auge”. Temos que constatar, então, para efeitos de análise, as transformações advindas da atual “sociedade de informação” ou “sociedade do conhecimento”, para que não caiamos em uma total nostalgia.
Existe ainda, como questão a ser pensada, uma ojeriza ou um total repúdio aos Estados Unidos e toda produção que venha de lá. O anti-americanismo gera algo como uma supervalorização ou veneração ao cinema europeu, em um confronto histórico entre EUA x Europa, especialmente França. Confronto que foi ironizado por Woody Allen no filme “Dirigindo no escuro”. O contrário também é verdadeiro, e o filme europeu muitas vezes é estereotipado como hermético.
Por fim, e talvez o mais importante, existe o fato de que a cultura pouco é incentivada e não está no cotidiano das pessoas. Os esforços devem ser redobrados para melhorar o acesso à cultura, que é muito restrito, também em razão do preço inacessível dos produtos culturais tendo em vista a situação econômica do Brasil.
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