sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Marx que "revolucionou" o modo de ver e pensar a arte

O sobrenome não é mera coincidência: ele é parente do autor do Capital. Seu trabalho impressiona pela abrangência, o que está presente na mostra que estava em cartaz no MAM de São Paulo, uma das melhores das que visitei durante os últimos anos. Tudo começou quando decidi escrever sobre o trabalho de Burle Marx e descobri que ele é responsável por projetos de vários lugares pelos quais passamos e nem sequer prestamos atenção. Dois dos mais famosos projetos do artista são: o aterro do flamengo e o calçadão de Copacabana.



A exposição Burle Marx: a permanência do instável no MAM mostra a amplitude e diversidade da produção do artista. Para quem não sabe, o calçadão do Rio de Janeiro é um dos projetos de Burle Marx. Talvez um dos mais famosos projetos deste artista - mais conhecido como paisagista - que tem um amplo trabalho em diversas áreas: pintura, desenho, gravura, cerâmica, cenografia, música, joalheria. Burle Marx possui uma formação e uma produção em artes plásticas bem representada na exposição.
Será possível hoje, em um contexto que demanda cada vez mais especialização, surgir um artista que dialogue com tantos campos? Esta é uma pergunta que surge para quem deixa a exposição do MAM. A mostra é sensacional e tem o mérito reunir uma vasta amostragem da obra de Burle Marx que, além disso, se destacou por ser um dos pioneiros da consciência ecológica na preservação e utilização de espécies em extinção da natureza brasileira. A visão abrangente de Burle Marx, que engloba principalmente a questão das artes plásticas em dialogo com o paisagismo (algo que o artista considerava essencial), é um dos destaques da mostra. Muito bem distribuída pelo museu, Burle Marx: a permanência do instável permite notar toda a inovação de quem transpôs a sua influência da pintura, de caráter abstrato e cubista, para as paisagens. Segundo o artista, quem quisesse trabalhar com paisagismo deveria ter esta noção de artes plásticas, na medida em que são campos complementares. Além disso, nota-se a ambição e a influência da música no seu trabalho, seja na harmonia entre as partes, seja na composição entre o jogo de linhas.
Burle Marx não é tão conhecido por seus quadros, e talvez seja um dos fatores marcantes da exposição: disponibilizar ao público as pinturas do artista, que mostram com clareza a hibridização de linguagens, ao mesmo tempo em que criam um universo interessante. A exploração das linhas e das cores é, quem sabe, um dos grandes destaques de seu trabalho como artista plástico; além, é claro, de sua visão arquitetônica. Pude conhecer, desta forma, muito mais sobre a própria história da arte e o trabalho ambicioso e abrangente de Burle Marx. Quem vai hoje ao Ibirapuera tem esta oportunidade de conhecer mais o trabalho do artista, bem como saber mais informações sobre um dos grandes destaques da história da arte no Brasil em um panorama muito interessante.



Nenhum comentário:

Postar um comentário