quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

uma literatura internacional

Foi durante o mestrado que li os livros de Milton Hatoum. Resolvi escrever sobre seu último livro, que me chamou atenção por tratar dos temas referentes ao meu trabalho. Sua literatura tem forte teor autobiográfico e fundamentalmente fala do estrangeiro, do migrante, do estranhamento próprio às transições e deslocamentos.


Em A Cidade Ilhada, Milton Hatoum desmistifica a idéia de uma literatura regional e por meio de fragmentos de memória mostra de forma simbólica os rumos do desejo em um mundo globalizado. O escritor amazonense traz para sua literatura sua condição de migrante e, como um estrangeiro, explora os limites entre o local e o global, o conto e a crônica. As histórias, estilhaços de memórias, imprimem um teor biográfico à obra. Hatoum parece construir um território em que se encontram vida e morte, ficção e realidade, lembrança e existência. A atualidade das narrativas de A cidade Ilhada está inscrita nos restos do que hoje chamamos de memórias e das construções surgidas das ruínas da experiência do horror, o qual mostrou na intolerância até que ponto a segregação pode chegar. Os personagens de Hatoum transitam por um território internacional de encontros e desencontros e mostram o quanto não nos conhecemos, o estrangeiro que parece atravessar as fronteiras

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