
Em A Cidade Ilhada, Milton Hatoum desmistifica a idéia de uma literatura regional e por meio de fragmentos de memória mostra de forma simbólica os rumos do desejo em um mundo globalizado. O escritor amazonense traz para sua literatura sua condição de migrante e, como um estrangeiro, explora os limites entre o local e o global, o conto e a crônica. As histórias, estilhaços de memórias, imprimem um teor biográfico à obra. Hatoum parece construir um território em que se encontram vida e morte, ficção e realidade, lembrança e existência. A atualidade das narrativas de A cidade Ilhada está inscrita nos restos do que hoje chamamos de memórias e das construções surgidas das ruínas da experiência do horror, o qual mostrou na intolerância até que ponto a segregação pode chegar. Os personagens de Hatoum transitam por um território internacional de encontros e desencontros e mostram o quanto não nos conhecemos, o estrangeiro que parece atravessar as fronteiras
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