terça-feira, 21 de outubro de 2025

Olívia - Filme Argentino é representação poética da jornada de jovem garota em busca do pai: uma história sobre luto carregada e cheia de metáforas

 

 

Fotos divulgação

 

visto na @mostrasp

            Ser jogado a esmo nos confins de um pueblo no interior da Argentina, descampado e inóspito, numa atmosfera densa e onírica: é mais ou menos assim que surge Olívia, poético filme argentino de Sofía Petersen, para o espectador.  Há um clima lúgubre e pesado, de abandono, e em certo sentido melancólico, moldado por uma iluminação densa que ressalta as silhuetas. São quasi-fantasmagorias que transitam em meio a paisagens inóspitas, ventanias entre o amanhecer e o anoitecer, crepúsculo de uma temporalidade que fica entre, na fronteira, no limiar.

            A sensação é que o dia ou a noite nunca chegam e há um clima de inquietação, desconforto. Olívia, interpretada por Tina Sconochini, está sentada à mesa e chama o seu pai mais de uma vez; ele mal responde, e o silêncio carrega o ambiente do filme. Logo percebe-se que há algo estranho, seja na melancolia pela qual se estabelece a relação entre pai e filha, seja nas referências desconfortantes pensadas na sutileza dos planos detalhe e trabalhadas pela direção de arte.

            Por outro lado, há uma violência inaudita e inquietante que atravessa os confins das montanhas nos sons do gado pronto para o abate: é lá, onde o pai de Olívia trabalhava, que a jornada de busca da menina vai encontrar seu ápice. No mesmo local onde encontra a personagem de Carolina Tejeda, com quem tem certa ligação.  

 


 

 

            É louvável a empreitada do filme e sua concepção estético-narrativa, seu ritmo cadenciado e temporalidade estendida, assim como a busca por texturas e contrastes numa riqueza visual. Mesmo que o espectador desavisado não esteja acostumado com o ritmo, a temporalidade e a pesada iluminação do filme, a combinação de tudo não deixa de ser corajosa.          

            A sutileza e as metáforas funcionam muitas vezes, e fazem de Olívia um belo filme – sem medo de mergulhar nessa proposta estético-narrativa. Soma-se isso as cicatrizes da protagonista (pesadas mas representativas), e também o trabalho de luto, uma travessia que partilha com os outros personagens.  

 

 


 O filme ainda está em cartaz na Mostra Internacional de São Paulo. 

 

Arrojado sin rumbo a los confines de un pueblo en la campiña argentina, árido e inhóspito, en una atmósfera densa y onírica: así es más o menos como Olivia, la poética película argentina de Sofía Petersen, se presenta al espectador. Hay una atmósfera sombría y pesada, de abandono, y en cierto sentido melancólica, moldeada por una densa iluminación que resalta las siluetas. Son casi fantasmagorías que se mueven por paisajes inhóspitos, vientos que soplan entre el amanecer y el anochecer, el crepúsculo de una temporalidad que yace entre, en la frontera, en el umbral. La sensación es que el día o la noche nunca llegan, y hay un aire de inquietud e incomodidad. 

Olivia, interpretada por Tina Sconochini, sentada a la mesa y llama a su padre más de una vez; él apenas responde, y el silencio impregna la atmósfera de la película. Es evidente de inmediato que algo no cuadra, ya sea en la melancolía que establece la relación padre-hija o en las referencias incómodas, concebidas a través de la sutileza de los primeros planos y elaboradas por la dirección de arte. Por otro lado, hay una violencia inaudita e inquietante que impregna las profundas profundidades de los sonidos del ganado listo para el matadero: es allí, donde trabajaba el padre de Olivia, donde la búsqueda de la niña alcanza su clímax. Es en el mismo lugar donde se encuentra con el personaje de Carolina Tejeda, con quien siente una cierta conexión. 

El esfuerzo de la película y su concepción estético-narrativa, su ritmo mesurado y su temporalidad prolongada, así como su búsqueda de texturas y contrastes en una rica experiencia visual, son encomiables. Incluso si el espectador no iniciado no está acostumbrado al ritmo, la temporalidad y la iluminación intensa de la película, la combinación es, no obstante, valiente. La sutileza y las metáforas funcionan a menudo, haciendo de Olivia una película hermosa, sin miedo a ahondar en esta propuesta estético-narrativa. Todo esto contribuye a profundizar en las cicatrices de la protagonista (graves pero representativas), así como en el proceso de duelo, un viaje que comparte con los demás personajes. 

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