Foto divulgação
visto na @mostrasp
O belga Joachim Lafosse, conhecido pelos retratos de “conflitos familiares”, talvez tenha tido mais projeção com o premiado Propriedade Privada (2006), estrelado por Isabelle Huppert, ou Private Lessons (2008). Em Seis dias naquela primavera (2025), Lafosse parece adquirir uma abordagem mais despretensiosa e certo minimalismo dramático, já esboçado em O Silêncio (2023), mas elevado a um novo patamar.
A beleza do filme de Lafosse, na minha opinião pouco comentado ou reconhecido (apesar de ter ganho o Festival de San Sebastián), se estabelece nas pequenas interações do cotidiano. Nesse contexto, a habilidade pela qual a história expõe o racismo, a delimitação dos territórios e a exclusão social é interessante: aqui também há um “segredo”, como em outros filmes do diretor belga, que permanece como um não-dito, próximo ao tabu social.
A história trata de uma mãe solteira que leva os filhos para um pomposo condomínio na Riviera francesa de seus ex-sogros, lugar reservado ao luxo e ao dinheiro. Ela trabalha como cozinheira, motivo pelo qual nem sempre pode vigiá-los, o que acaba por resultar em diversos conflitos. Da mesma forma, existe o fato de que seu relacionamento com o professor dos meninos gera uma série de desdobramentos (pelo fato de ela ser uma mulher negra e ele branco), em diferentes “status” sociais.
Se a carga dos conflitos familiares de outros filmes encontra-se dissipada, Seis dias naquela primavera (2025) funciona quase como uma crônica, uma representação delimitada no tempo que aposta nas interações simbólicas entre mãe e filhos. Nesse sentido, se alguns elementos da história e da trama “tradicional” não tão presentes, por outro lado é nas interações e nos sentimentos, bem como na forma pela qual câmera transita (ou não) por esses territórios, que residem algumas das qualidades de Seis dias naquela primavera (2025).

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